Amizade

Uma história pra contar (parte 3)

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E chegamos ao fim dessa extraordinária experiência que foi acompanhar a trajetória de vida da nossa amiga Mirian. Se abrir assim para uma pessoa já exige muita coragem, permitir que nós publiquemos aqui no blog, foi um ato de fé e uma superação fora do comum.

Nós, do Viva Conosco, somos extremamente gratos pela confiança e esperamos que essa partilha tenha sido tão satisfatória para a Mirian como foi para nós.

Para ler as outras partes da história, é só clicar nos links abaixo:

Uma história pra contar…

Parte 3 – O início de um sonho, deu tudo certo

Eu estava com 20 anos, era 2005 e meus pais se separaram. Um alívio. Posso dizer com convicção que foi um marco nas nossas vidas. Hoje, separada por antes do divórcio e depois do divórcio. Parece que uma cortina se abriu à minha frente e eu pude ver o sol brilhar lá fora. Tudo no nossa vida se encaixou e tomou uma direção. Podia ver a mão de Deus nos guiando para o caminho que devíamos trilhar.

Sempre quis me graduar, poderia ser qualquer curso, mas eu queria ter o ensino superior. Com o trabalho no escritório, surgiu interesse pela área Financeira. Fiquei muito curiosa e queria muito aprender mais. Mas não tinha dinheiro, o salário que recebia era direcionado ao pagamento das contas de casa.

Eu digo sempre que é providência divina. Uma colega de trabalho, comentou sobre o ProUni. Na época o programa era muito recente, pouco divulgado. Eu poderia usar a nota que obtive no Enem, que eu havia feito no ano anterior apenas para checar os meus conhecimentos. No último dia para inscrição, acessei o site e me inscrevi. E por incrível que pareça, eu fui aceita no curso de Ciências Contábeis da Faculdade Pitágoras com bolsa de 100%.

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Mirian em sua formatura

Eu não acreditava, eu não conseguia acreditar. Como eu fiquei feliz. Era o início de uma nova era na minha vida. Eu estava aonde eu deveria estar, era isso que eu sentia. Sou muito grata à Deus. Essa oportunidade me abriu portas e pude chegar aonde eu cheguei.
Eu comecei acreditar em sonhos, buscar por mais. A empresa na qual estava trabalhando, de repente, ficou muito pequena para mim. Pedi demissão e comecei em outro emprego, prestava serviços para uma instituição financeira. Gente! Eu trabalhava para um banco. Eu me sentia tão valorizada, eu conseguia ver valor em mim. Valor aquele que muitos me disseram que eu não tinha.

Quando eu ia contrariada para a casa daquela família rica das três crianças, passava pela Av. Álvares Cabral e ficava me imaginando ali, no meio daquelas pessoas que iam e vinham. Saindo daqueles edíficios tão imponentes. Eu pensava se em algum dia eu poderia ter a oportunidade de trabalhar em um lugar como aquele.

No dia em que fui fazer a segunda etapa da entrevista com o gestor da área, para trabalhar para a instituição financeira, andei muito pela região (para variar fiquei perdida). Pedi algumas informações e quando vi que o endereço era no prédio no qual eu me via trabalhando nos meus devaneios, me arrepiei. Escrevo esse relato com lágrimas nos olhos. Porque era exatamente aonde eu queria estar.

Fui aprovada e trabalhei por sete maravilhosos anos naquela empresa. Conheci muita gente maravilhosa, que faz parte da minha vida até hoje. Concluí minha graduação, fiz minha pós, tive a oportunidade de fazer minha primeira viagem de avião, minhas primeiras férias na praia e inúmeras outras conquistas.

A medida que ganhava experiência, eu subia mais um degrau na minha carreira. Fui auxiliar, assistente, analista, coordenadora e hoje sou gerente do setor financeiro. Minha opinião importa, eu direciono pessoas, eu treino pessoas, eu influencio pessoas. Eu conquistei o meu valor.

Como eu disse, depois que deixamos meu pai, o mundo se abriu para mim, para o meu irmão e para minha mãe. Quanta coisa maravilhosa a gente viveu nestes últimos 15 anos, que não havíamos vivido em uma vida inteira. A gente viu prazer nas pequenas coisas. Numa noite de sono tranquila, num silêncio de um domingo à tarde. De receber nossos amigos na nossa casa sem nos sentirmos intrusos nela.

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Primeira Meia Maratona

Eu vivi muita coisa que eu não acreditava. Coisas que achava que não merecia. Eu conheci tanta gente maravilhosa, que me ensinou tanto e quis aprender comigo. Eu pude ensinar coisas para as pessoas. As pessoas que eu admirava também me admiravam.
Depois de várias conquistas materiais, era hora de eu viver experiências. Aquelas das quais fui privada quando criança/jovem. Isso para mim tem um gosto muito mais especial. É fruto de muita luta e persistência. Pude fazer incontáveis viagens pelo Brasil, viagens para fora do país, ir à shows dos meus ídolos, viajar só para ir à um show. Gente, isso para mim tem gosto de vitória.

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Sua viagem para a Europa, em 2019

Hoje, perto dos meus 35 anos, eu olho para trás e me pergunto o que eu faria diferente. O que eu mudaria se eu pudesse. Queria poder mudar tanta coisa. Queria poder cuidar melhor daquela menininha tão meiga e doce que quase esqueceu que a vida é maravilhosa.

Queria ter me preservado de tanta coisa, para não carregar as feridas que eu carrego hoje. Sei que elas me tornaram essa mulher forte, determinada e resiliente, mas foi à base de muita dor.

Ainda estou em construção, evoluindo a cada dia e buscando por isso. Hoje olho para minha história com mais orgulho do que rancor, sem exigir muito de mim mesma. Eu fiz o que pude com o que eu tinha e cheguei até aqui.

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Essa é a Mirian hoje

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