Amizade

Uma história pra contar…

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Você já parou para ouvir a história das pessoas com as quais convivem? Quando digo ouvir, é ouvir de verdade, com total atenção ao que a outra pessoa diz…

Nossa, é revelador! Muito se fala sobre empatia, mas ainda pouco se pratica. É necessários lembrar-nos constantemente que cada ser humano enfrentou – e ainda enfrenta – batalhas que vão muito além do que podemos conceber.

E a história de vida de uma pessoa, diz muito sobre quem ela verdadeiramente é, quais são seus sonhos, receios, dores e alegrias e quando alguém se abre para você, com confiança e acreditando que não terá julgamentos, é uma coisa poderosa e você precisa se sentir honrade.

A proposta

Por isso, é com orgulho que compartilho a história da Mirian… uma das minhas melhores amigas, que Deus, a deusa e o Universo colocaram na minha vida.

Serão 3 post’s contando a trajetória incrível desse serhumaninho muito querido por nós aqui do Viva Conosco.

Tanto Mirian quanto eu esperamos que este texto toque seu coração de alguma forma e lhe dê forças para seguir em frente e acreditar em si mesme.

CACHOCHEIRA CASCA D'ANTA - NASCENTE RIO SAO FRANCISCO - CURRAL DE PEDRA - TRILHA - SÃO ROQUE DE MINAS - SERRA DA CANASTRA27
Eu e Mirian na Serra da Canastra, no Carnaval 2020

 

Uma história pra contar…

Parte 1 – Origens e Causos

Nascida em 10/08/1985 interior de Minas, em Virgolândia. Essa cidade existe, podem procurar no mapa. Meu nome é Mirian Aparecida de Paula. Era para ser Rosemeire, em homenagem à minha avó paterna, Rosalina. Porém, o escrivão do cartório se recusou a registrar uma pobre bebezinha com nomes tão antiquados. Sugeriu Mirian, meu pai concordou e ficou assim. Já o Aparecida, também envolve minha avó, no caso, a materna. O parto da minha mãe foi difícil e colocava em risco a vida dela e a minha. Minha avó prometeu à Nª Sª Aparecida que, se ambas sobrevivessem, o bebê levaria o nome da Santa. Eu nasci em um hospital na cidade de Peçanha, no entanto, fui registrada como nascida em domicílio em Virgolândia. Pequeno equívoco.

Tenho apenas um irmão, 2 anos mais novo. Cristiano Rodrigues de Paulo. O correto seria “de Paula”. Mais um erro de registro.

Minha família é de origem muito simples. Trabalho braçal na roça e poucas condições financeiras. Meus pais se mudaram para Belo Horizonte pouco depois do meu nascimento, buscando uma vida melhor.

Meu pai começou a trabalhar como eletricista e minha mãe, durante alguns anos só cuidava da casa e dos filhos. Dada as dificuldades, minha mãe começou a trabalhar como doméstica. Meu irmão ficava na creche e eu ia com ela para as casas. Eu era uma criança tranquila e tenho algumas boas lembranças daquela época.

Lembro que uma família se afeiçoou muito a mim e a filha do casal, que era adolescente, se sentiu enciumada. Armou uma cena e me acusou de ter roubado o dinheiro dela. Eu era uma criança de 4 anos, não sabia nem o que era dinheiro. A situação foi esclarecida, a menina assumiu que foi uma armação e família tentou se desculpar, mas minha mãe ficou muito ofendida e deixou a casa.

Conforme crescemos, meu irmão e eu passamos a ficar sozinhos em casa, enquanto nossos pais iam trabalhar. Eu era responsável pelo meu irmão e por cuidar da casa. Tínhamos 8 e 6 anos.

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Mirian e seu irmão

Minha mãe era muito rígida e nós muito obedientes. Não brincávamos na rua. Era de casa para escola e da escola para casa. Apesar de não haver nenhum incentivo, meu irmão e eu sempre fomos muito dedicados aos estudos. Lembro que o Cristiano ia para escola mesmo doente. A professora uma vez brigou com minha mãe por ela ter mandado uma criança com febre para escola. Ele quis ir.

Nós tínhamos poucos brinquedos. Bicicleta só tivemos no início da adolescência. Era uma para nós dois. Lembro de ter tido uma quando era muito pequena, mas acho que meu pai vendeu logo depois de ter comprado.

Minha mãe se esforçava muito para agradar a gente. Ganhávamos doações das famílias ricas para quais ela e minhas tias trabalhavam. Lembro de ter ganhado várias sacolas cheias de gibis da turma da Mônica. Meu Deus! Nós amávamos. Foi assim que criamos o hábito da leitura. Os gibis vinham em perfeito estado. Tanto que meu irmão trocava por outros na banca do bairro. E a gente ficou famoso na rua, pois emprestávamos os gibis para as outras crianças.

O Natal, apesar de muito simples, era especial. Minha mãe fazia questão de preparar uma comida mais caprichada. E sempre tinha presente. Eu fiquei, durante algum tempo, fingindo que acreditava em Papai Noel, para não a desapontar. Eu notava o quanto ela se dedicava para tornar aquele momento especial.

Certa vez, uma amiga da minha mãe e a filha dela passaram o natal conosco. Lembro que fomos pegar nossos presentes que estavam escondidos em algum lugar (não tínhamos árvore de natal). Eram duas bonecas Barbie. A da menina era original, possuía articulações nas mãos e pés. A minha era falsa, não mexia. Eu fiquei perplexa. Como o Papai Noel pôde ser tão descuidado e deixar um brinquedo com defeito para uma criança? Essa foi a primeira grande decepção da minha vida.

Nas nossas férias, sempre viajávamos para Virgolândia, era uma farra. A preparação para a viagem, a viagem em si (são 10 horas de ônibus) e passar os dias na roça. Como erámos livres e felizes lá. A gente era um acontecimento na cidade. Todos gostavam muito de nós. Meu irmão sempre fui muito divertido e brincalhão. Era uma aventura no meio do mato.

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Casa da avó

No início, era bem raiz mesmo, sem energia elétrica, sem chuveiro elétrico, sem TV. Depois foi se modernizando e sinceramente, a gente ficou meio triste, pois gostávamos das coisas mais simples e até precárias.

Lá tinha um riachinho. Mas minha mãe raramente permitia que a gente nadasse nele. Uma vez, minha mãe voltou para BH e meu irmão e eu ficamos lá sob supervisão da minha avó. Logo vimos a oportunidade de nadar no riachinho. Pedi autorização para minha avó, ela disse que podia. Logo em seguida meu tio flagrou a gente na água e nos repreendeu, reforçando a ordem da minha mãe de não entrarmos na água. Me defendi, alegando que minha avó havia autorizado e, pasmem, ela negou tudo. Eu fiquei chocada e não entendi nada. Tenho certeza de que fiz uma expressão que viraria meme hoje. Eu era uma criança de 10 anos e estava vendo um adulto mentir descaradamente. Foi a minha segunda maior decepção na vida.

Tenho boas lembranças da minha infância. Das brincadeiras com meu irmão. Éramos muito cúmplices. Mas lembro também das muitas dificuldades. Nossa casa era muito simples, pouco conforto e segurança. Molhava quando chovia.

Nunca chegamos nem perto de passar fome, mas as coisas eram muito regradas. Garantido mesmo, era só o almoço e o jantar, raramente com carne. Meus pais plantavam algumas coisas no nosso quintal, mas não era o suficiente.

Semana que vem você confere a segunda parte dessa linda história…

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